

Fernanda Montenegro
Fernanda Montenegro presenciou a entrega dos prêmios e assistiu o vídeo com os
depoimentos gravados em sua homenagem. Diante da manifestação de carinho do
público, que a aplaudiu de pé em mais de um momento, Fernanda afirmou que ainda
se surpreende com a reação dos fãs e que o teatro é uma vocação que não poderia
ter deixado de seguir.
Este é um dos poucos festivais
de Teatro do Rio de Janeiro. Qual é a importância deste espaço para os novos
atores?
É ter a
oportunidade que eles têm de se apresentar, pois é muito complicado trazer
grupos de outros estados, o que demonstra um esforço notável da Universidade.
Acho que devia ter seguidores, porque não é preciso lembrar que teatro é uma
comunhão por excelência de um ser humano com o outro. Não existe nada mais
próximo do ser humano que você ter um espetáculo, com público e ator se vendo
frente a frente.
Qual é a importância do teatro na sua carreira?
Sem ele não seria
nada, porque o teatro é norte, educador, realizador, caminho. Fui educada por
ele, sobrevivi por ele e tenho família nele. Minha vocação me guiou, e pude
realizá-la pela força de vontade. Já digo que realizei porque depois de 70 anos
você já viveu uma vida.
O que você diria para esses novos atores que participaram do
festival?
Que perseverem. Teatro não é glória, é perseverar, é todo o dia fazer de novo, com chuva, sol ou
guerra. É fazer novamente. Parabéns à Universidade.
Depois de uma trajetória como a sua, como é ainda se emocionar
com este tipo de homenagem?
O prêmio sozinho
não é nada, o que importa é o que ele traz consigo. É um movimento de uma
Universidade, há 12 anos convocando profissionais, amadores e até alunos,
vivendo teatro, possibilitando teatro, transferindo grupos de lá para cá, daqui
para lá, alimentando o sonho do teatro.
Qual é o papel da crítica na sua vida?
A crítica vem
sempre depois. É importante porque analisa, deixa um testemunho, já que teatro
não se guarda, é o que fica de você e o que o crítico acha que você fez de bom
ou de mau. Teatro é diferente da dramaturgia. Ele morre sempre num dia e começa
no outro.
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